Eu não sei bem o que está acontecendo comigo. Aqui dentro, sabe? É intenso demais para classificar por nome ou o que for. Só sei que está acontecendo. Eu me sento, eu me deito, eu ando e algo me toma, um mar negro de dores transborda dentro do meu corpo e a sensação que mais me assusta é que a qualquer momento eu terei que transbordar todas essas dores para fora de mim.
E por outro lado... Faz muito tempo desde a última vez que escrevi algo aqui. Isso é um dos lados maremoto de dores, essa pausa sem data de volta é por conta da falta de inspiração, do vazio, da falta de muita coisa que antes me fazia inteiro. Ou quase inteiro. Quem é que nunca gostou de ver o copo meio cheio? Nesse momento, meu copo está meio vazio. Tá faltando muito dentro de mim, tá faltando um eu inteiro pra chegar até o eu de verdade.
Enquanto não vem, enquanto não chega, eu vou rastejando. Espero alcançar vocês.
Imagine só a noite dos apaixonados que se amavam tanto que a lua junto com as estrelas faziam música para acompanhar o amor feito, o amor dito, o amor querido entre aqueles dois apaixonados que se amavam tanto que não paravam de se olhar e se olhavam tanto que decoravam cada linha da íris dos olhos, contaram quantos cílios cada tem e conhecerem de cabo à rabo a alma dos apaixonados que de tanto se amarem se perderam se encontraram se fundiram se fizeram um só e quando o dia chegou trouxe para os apaixonados a realidade bruta das realidades mais brutas, de que tudo aquilo, a dança, os olhos, as almas, o amor, não passou de um sonho sonhado por dois apaixonados que dormiam em camas separadas só que unidas por corações mas ainda assim separadas e distantes e longas e frias e sem você aqui pra eu poder sorrir e me sentir feliz e completo: babaca idiota louco homem perdido e acima de tudo, de todos os picos mais altos, das nuves mais densas e dos planetas mais distantes, apaixonado.
Hoje eu concordo com os que diziam que eu poderia ser bem melhor. E, bom, é só olhar pra mim, eu tô melhorando, eu tô me tornando bem. Eu dúvido que algo freie a minha vontade de ser feliz, vontade essa que aos poucos vai se tornando realidade e eu já não me preocupo mais com o que vem pela frente. Por mim, pode chegar. Vem. Eu vou enfrentar, como sempre tive que enfrentar e se eu cair novamente, terei quem me puxar e levantar. São essas mãos que me transmitem a vontade de viver e são por essas mãos que eu vou até o fim, suando, brigando e, acima de tudo, amando.
É por vocês que eu luto, é pelo juntos que criamos que eu não me perco.
É por vocês que eu luto, é pelo juntos que criamos que eu não me perco.
O barulho da chuva é ensurdecedor quando o que se quer é momentos de sol. Cada pingo um pedaço de alma. Eu os escuto cair e solto um pedaço de mim na tristeza escura. Anseio pelo sol. O brilho do sol, a luz do sol, o calor do sol. Anseio pelo eu que ficou lá atrás, naquele último verão, naquele último novembro, naquele último dia. Então eu espero pelo sol e por mim. Uma hora, um dos dois terá que sair de trás das nuvens e afugentar o cinza triste.
Oxitocina
O meu coração andava quieto demais, calmo, sereno, parado no tempo, esperando por algo que o fizesse pulsar. Foi então que num dia eu encontrei seu sorriso, suas palavras, o tilintar do seu brilho que fez meu coração voltar a pulsar, a se acelerar, a perder-se na intensidade dos bumbos que há tempos não fazia. Agora meu coração anda inquieto demais, sofrendo com os extremos que é sentir-se apaixonado, apegado à outra pessoa. Quando você chega, minha pequena, bem do seu jeito de chegar, nem manso nem direto, apenas chega sem avisar, o meu coração se sente sereno, calmo como o cair de uma folha de uma árvore, os batimentos são suaves e atentos, apenas esperando o momento de descansar ao ouvir suas palavras. Então você fala, sussurra em meus ouvidos juras e verdades que enlouquecem a minha alma, transforma o cair da folha num turbilhão de ventos sem destino, expandido dentro de mim, me tomando por inteiro. Penso que é a felicidade ao te sentir tão junta à mim. Então vem o momento em que você tem que partir, aí meu coração se perde num buraco de pezares, me sinto perdido, incompleto e desolado, mas logo lembro que outra hora você volta, então me refaço por inteiro, coloco o sorriso no rosto e fico pronto pro seu próximo chegar, sentindo a ansiedade para poder te amar e só te amar.
A claridade vinda dos dias ensolarados invadem seu corpo como um veneno, a agonia sentida vem da energia do fogo que contém em cada raio do sol. Por não aguentar tal força dentro de si, esconde-se numa caverna escura chamada mente, ali construiu um castelo escuro rodeado por pedras escuras sob o céu escuro da noite. Fechado pro brilho do que está por vir, ele vive com aquela sensação de morte, mas vive, preso aos seus ferros e algemas, sendo chicoteado por lembranças que pertencem a outras vidas que não mais lhe servem. Atordoado, com o sangue das feridas lhe correndo a pele, ele se joga no calabouço do castelo e espera sentado no chão frio e úmido os monstros que ali moram lhe devorarem por inteiro, pra não deixar nem sombra do que foi ou do que poderia ser.
Quanto à mim, eu vou continuar seguindo a estrada que me levará até o pôr-do-sol. Lá encontrarei amigos, parentes e amores passados. Vou entrar na dança da fogueira, rodar que nem um índio, abrir meus braços pro céu laranja e chorar pra Deus toda a minha alegria. Meus gritos viajarão pelo forte vento e chegará aos ouvidos do meu pai num sussuro de amor.
Não quero mais pisar em espinhos, nem topar em pedras, nada mais vai me fazer sair do meu caminho. O meu destino é feito pelos meus passos, que agora só seguirão adiante.
Não quero mais pisar em espinhos, nem topar em pedras, nada mais vai me fazer sair do meu caminho. O meu destino é feito pelos meus passos, que agora só seguirão adiante.
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